O ex-presidente Jair Bolsonaro foi condenado nesta sexta-feira (30), pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação ao realizar uma reunião com embaixadores estrangeiros durante a campanha presidencial de 2022, na qual foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva. Com a decisão, Bolsonaro ficará inelegível por oito anos, a partir das eleições de 2022, podendo voltar a disputar cargos públicos somente em 2030.
A maioria dos juízes do TSE entendeu que Bolsonaro usou a reunião para divulgar falsas narrativas sobre a insegurança das urnas eletrônicas e atacar ministros do TSE e do Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de influenciar e convencer o eleitorado de que estaria sendo vítima de uma grande conspiração do poder judiciário. A reunião foi transmitida ao vivo pela TV Brasil.
O presidente do TSE, Alexandre de Moraes, foi o último a votar e proferiu um discurso contundente contra Bolsonaro, afirmando que o tribunal demonstrou "repulsa ao degradante populismo renascido das chamas dos discursos de ódio, antidemocráticos, que propagam infame desinformação produzida, por verdadeiros milicianos digitais". Moraes reafirmou a "fé na democracia e no Estado de Direito" e disse que "não há democracia sem Poder Judiciário independente".
Bolsonaro reconheceu sua inelegibilidade, inconformado com o resultado. Ele falou à imprensa em Belo Horizonte e afirmou que o Brasil está em "caminho bastante avançado" para se tornar uma ditadura. "Isso não é democracia", disparou, após a condenação. Bolsonaro afirmou que foi condenado "pelo conjunto da obra" e que o TSE trabalhou contra ele inclusive durante o processo eleitoral. "Acredito que hoje tenha sido a primeira condenação por abuso de poder político", declarou o ex-presidente.
Foto: Reprodução






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