Conta de luz deve subir acima da inflação novamente em 2026, apontam consultorias


O preço da energia elétrica deve voltar a subir acima da inflação neste ano, segundo projeções de consultorias especializadas no setor. A tendência repete o movimento observado nos últimos anos, marcado por fragilidades regulatórias e fatores climáticos que pressionaram a conta de luz.

Em 2025, a energia elétrica residencial registrou alta de 12,3%, de acordo com o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), enquanto a inflação oficial do país fechou em 4,26%.

A consultoria PSR projeta aumento real — acima da inflação — de 4% na tarifa residencial em 2026. A estimativa para o IPCA neste ano é de 3,91%, conforme o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central do Brasil.

Segundo a PSR, a alta é influenciada principalmente por novos contratos mais caros entre distribuidoras e geradoras, além do processo de descotização das usinas da Eletrobras. A lei de privatização da empresa, aprovada em 2022, estabeleceu uma transição para que hidrelétricas deixassem de vender energia abaixo do preço de mercado, com redução gradual dessa exigência até o próximo ano.

Outro fator de pressão são os encargos pagos pelos consumidores para custear subsídios, como a Tarifa Social e incentivos a fontes renováveis, como solar e eólica, além de benefícios concedidos a consumidores com geração própria em telhados.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que, em 2026, os subsídios do setor devem somar ao menos R$ 47,8 bilhões — alta de 15,4% em relação ao ano anterior.

Pressão do clima e das térmicas

A consultoria Logos Economia projeta aumento total de 5,6% na conta de luz em 2026. Entre os fatores apontados está a expectativa de alta do IGP-M, índice usado no reajuste de tarifas públicas. Após registrar variação negativa de 1,05% em 2025, o indicador deve subir cerca de 2,8% neste ano.

A possibilidade de acionamento das bandeiras amarela e vermelha ao longo do ano também preocupa, especialmente em razão do fenômeno El Niño, que pode reduzir o volume de chuvas nas regiões Norte e Nordeste no segundo semestre.

Reservatórios mais baixos exigem maior uso de usinas termelétricas, que têm custo de geração mais elevado. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) já indicou que o nível dos reservatórios ao fim do período úmido ficou abaixo do esperado, o que aumenta a pressão sobre o sistema.

Alta acumulada em 15 anos

Estudo da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel) aponta que, nos últimos 15 anos, a tarifa de energia subiu 177%, passando de R$ 112 por MWh em 2010 para R$ 310 por MWh em 2024. No mesmo período, o IPCA acumulou alta de 122%.

Entre as razões apontadas estão contratos de longo prazo indexados à inflação no mercado regulado — que atende consumidores residenciais —, além de decisões políticas que impactam a matriz energética, como a prorrogação de contratos de termelétricas a carvão e a contratação compulsória de usinas a gás natural e pequenas hidrelétricas.

Especialistas avaliam que a combinação de contratos indexados, subsídios crescentes e riscos hidrológicos repassados ao consumidor deve manter a conta de luz sob pressão também em 2026.

Agência Brasil
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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